Prefeito Daniel Langaro abre diálogo, secretário esclarece posicionamento da Secretaria e sindicato afirma que normativa ainda precisa de ajustes
A crise provocada pela Instrução Normativa nº 007/2026, publicada pela Secretaria Municipal de Educação de Palmas (PR), continua mobilizando professores, gestores e a administração municipal. Após dias de intensa repercussão, a discussão entrou em uma nova fase: o diálogo institucional.
A normativa passou a ser alvo de críticas por alterar a dinâmica das escolas e Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs), especialmente em relação ao período de recreio e aos intervalos dos professores. Desde o início da polêmica, o portal O Brasil Não Pode Parar acompanhou diariamente os desdobramentos, ouvindo educadores, especialistas e representantes da categoria.
Entenda o início da crise
A Instrução Normativa nº 007/2026 foi publicada com o objetivo de adequar procedimentos da rede municipal aos entendimentos da legislação educacional e aos apontamentos da Controladoria do Município.
Entre as principais mudanças, a norma passou a considerar o recreio dos estudantes como tempo de efetivo trabalho pedagógico, determinando acompanhamento permanente dos alunos durante esse período.
Na prática, muitos professores entenderam que a medida eliminava o tradicional intervalo simultâneo destinado ao descanso das equipes escolares, gerando preocupação quanto às condições de trabalho, à saúde física e mental dos profissionais e à organização das unidades de ensino.
Outro ponto que despertou debates foi a regulamentação do período de repouso das crianças nos CMEIs, especialmente em relação à distribuição das responsabilidades entre os servidores durante esse momento.
Prefeito Daniel Langaro abre diálogo
Diante da repercussão do caso, o prefeito Daniel Langaro passou a acompanhar diretamente a situação.
Em conversa com este jornalista, o chefe do Executivo confirmou que o município iria reavaliar os termos da Instrução Normativa nº 007/2026. Antes disso, o prefeito já havia dialogado com representantes do Sindicato dos Professores Municipais de Palmas (Sindiprom), demonstrando disposição para ouvir todos os envolvidos.
Segundo Langaro, uma reunião com a Secretaria Municipal de Educação e a Controladoria do Município seria realizada para avaliar alternativas capazes de atender às exigências legais sem comprometer as condições de trabalho dos profissionais da Educação.
A manifestação do prefeito foi interpretada como um importante gesto de abertura ao diálogo e reduziu a tensão instalada entre a categoria e o Poder Executivo.
Secretário responde durante entrevista
Na quinta-feira (25), após retornar de agenda oficial em Curitiba, o secretário municipal de Educação, Mário Camargo, concedeu entrevista ao repórter Hildebrando Boni.

Durante a entrevista, Boni questionou o secretário sobre a reportagem publicada por O Brasil Não Pode Parar, na qual o prefeito Daniel Langaro havia informado que o município reavaliaria a normativa.
Ao responder, Camargo explicou que o entendimento da Secretaria é de que a legislação continuará sendo observada, mas que a organização do recreio poderá ocorrer por meio de revezamentos definidos por cada unidade escolar, preservando a supervisão permanente dos estudantes.
O secretário também afirmou que não existe qualquer divergência entre a Secretaria de Educação e o prefeito Daniel Langaro, destacando que o chefe do Executivo sempre acompanhou as discussões e apoiou a construção de uma solução dialogada.
Sindiprom reconhece avanço, mas mantém defesa de ajustes
Diante das declarações do secretário municipal de Educação durante entrevista ao repórter Hildebrando Boni, a reportagem de O Brasil Não Pode Parar buscou, nesta sexta-feira (26), o posicionamento oficial do Sindicato dos Professores Municipais de Palmas (Sindiprom), que se manifestou sobre os novos desdobramentos da Instrução Normativa nº 007/2026.
Em nota encaminhada ao portal, o sindicato reconheceu que o diálogo produziu avanços importantes, especialmente após o entendimento de que cada unidade escolar poderá organizar o recreio de acordo com sua realidade.
Entretanto, a entidade deixou claro que a discussão está longe de ser encerrada.
Para o Sindiprom, a Instrução Normativa nº 007/2026 ainda necessita de ajustes para garantir maior clareza, segurança jurídica e viabilidade na sua aplicação prática.
O sindicato informou ainda que realizará uma reunião com a categoria, acompanhada por sua assessoria jurídica e pedagógica, para avaliar tecnicamente o texto da normativa e definir os próximos encaminhamentos.
O Brasil Não Pode Parar seguirá acompanhando
A crise da Educação de Palmas entra agora em uma nova etapa. Depois das manifestações do prefeito, dos esclarecimentos apresentados pelo secretário municipal e do posicionamento oficial do Sindiprom, cresce a expectativa sobre quais alterações poderão ser efetivamente implementadas.
O Brasil Não Pode Parar continuará acompanhando todos os desdobramentos, ouvindo a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Educação, o Sindiprom e os profissionais da rede municipal, mantendo seu compromisso com a informação, a transparência e o acompanhamento permanente de um tema que impacta diretamente professores, estudantes e famílias palmenses.
Nota oficial do Sindiprom
“Acreditamos que este é o momento de reconhecer que o diálogo produziu resultados importantes. Após a conversa do prefeito com as diretoras e coordenadoras das unidades escolares, ficou definido que cada unidade terá autonomia para organizar o recreio de acordo com sua realidade, sempre com coerência, respeito aos profissionais da educação e responsabilidade com a segurança das crianças — responsabilidade que, aliás, os profissionais da educação sempre tiveram e exerceram com seriedade.
É importante destacar que o recreio dirigido sempre fez parte da rotina das escolas, assim como o compromisso permanente dos profissionais com o cuidado, a proteção e o bem-estar das nossas crianças.
Esse encaminhamento demonstra que é possível construir soluções por meio do diálogo, ouvindo quem vivencia diariamente a realidade das unidades escolares. Ao mesmo tempo, entendemos que a Instrução Normativa ainda necessita de ajustes para refletir esse entendimento, conferindo maior clareza, segurança jurídica e viabilidade à sua aplicação.
Nesse sentido, o sindicato realizará, na próxima semana, uma reunião com a categoria para discutir o tema com o devido embasamento jurídico e pedagógico, por meio de sua assessoria especializada. A partir dessas discussões, serão definidas as próximas medidas, mantendo-se o diálogo institucional com a Secretaria Municipal de Educação e com o Poder Executivo.
Seguiremos acompanhando esse tema com responsabilidade, defendendo condições dignas de trabalho para os profissionais da educação, sem perder de vista aquilo que sempre foi nossa prioridade: a qualidade da educação, a valorização dos trabalhadores e a proteção das nossas crianças.”
SINDIPROM – Sindicato dos Professores Municipais de Palmas/PR

