Foto: Reprodução/Facebook
PALMAS (PR) — A cobertura das articulações partidárias para as eleições de 2026 ganhou contornos de aberto confronto ideológico na manhã de ontem, segunda-feira (6). A entrevista concedida pelo pedagogo, ex-diretor de cultura e atual presidente local do Podemos, Rodrigo Kohl Ribeiro — popularmente conhecido no cenário político como “João Pimenta” —, pré-candidato a deputado federal, converteu-se em um dos episódios mais tensos e controversos da radiodifusão local recente. Transmitida ao vivo pela Rádio Club, a sabatina gerou forte e imediata reação de ouvintes e internautas, que inundaram os canais de comunicação para classificar como “desrespeitosa”, “ríspida” e “agressiva” a postura adotada pelos mediadores Ivan Cesar e Guilherme Zimermann.
Para o Portal O Brasil Não Pode Parar, cujo compromisso editorial inegociável é a defesa do debate público plural e a denúncia dos excessos que tentam silenciar novas lideranças, o episódio de ontem não foi um ponto fora da curva, mas o sintoma de uma imprensa tradicional que, por vezes, confunde a legítima fiscalização jornalística com a tentativa deliberada de desconstrução política. O que se testemunhou no estúdio da Rádio Club foi um embate direto pelo controle da narrativa, onde o pré-candidato enfrentou um cerco ruidoso focado em sua vida pessoal e partidária, em detrimento das propostas para o Sudoeste Paranaense.
O Embate pelo Nome Político e a Linha de Hostilidade
O clima de acentuada aspereza foi estabelecido logo na abertura do bloco. Ao solicitar formalmente ser tratado por seu nome político, “João Pimenta” — prerrogativa amplamente amparada pela legislação eleitoral e pelo costume democrático brasileiro —, o entrevistado foi prontamente interrompido por Ivan Cesar.
Em uma intervenção que sinalizou a linha de confronto que pautaria o programa, o mediador disparou: “Não, o seu nome civil é Rodrigo Kohl Ribeiro… A pauta quem faz aqui somos nós, né? Tá certo e a pauta é a nossa, que nós tratamos da forma que nós compreendemos que deva ser”. A recusa em reconhecer a identidade política do entrevistado — um direito básico de qualquer agente público — funcionou como o primeiro filtro de deslegitimação da manhã, seguido pelo questionamento ríspido sobre a viabilidade de sua postulação, classificada pelos entrevistadores como “contingencialmente bastante pequena”.
O Confronto com Termos Pejorativos e Rótulos de Bastidores
A tensão escalou ao longo da transmissão na medida em que os entrevistadores trouxeram para o microfone expressões de forte teor pejorativo e rótulos de bastidores para qualificar a atuação de João Pimenta. Diante da contundência dos fatos, o Portal O Brasil Não Pode Parar pontua os principais momentos em que a condução do debate flertou com a hostilização direta:
- O uso do termo “Cupim de Urna”: Ivan Cesar confrontou diretamente o político ao questionar o que ele diria por “ser entendido na sociedade como cupim de urna”, definindo a expressão no ar como “aquele que se alimenta de votos”. Pimenta repudiou veementemente a abordagem, classificando-a como uma palavra pejorativa que não se enquadra à sua trajetória, construída sem grandes aportes financeiros e focada no diálogo olho no olho com o eleitor.
- A rotulagem de “Muito Demagogo”: Ao expor suas projeções e defender o potencial de atração de até R$ 100 milhões em emendas orçamentárias federais para dinamizar municípios da microrregião (como Palmas, Coronel Domingos Soares, Clevelândia, Honório Serpa e Mangueirinha), Pimenta foi bruscamente interrompido por Ivan Cesar, que sentenciou: “O senhor sabe que se o senhor falar isso o senhor está sendo muito demagogo, muito demagogo”. A postura do jornalista buscou esvaziar e carimbar como falsa uma proposta política legítima.
- A provocação do subentendido “Marginal”: Em um dos diálogos mais ríspidos, quando o pré-candidato explicava que suas denúncias e sua postura independente faziam com que grupos da velha política local tentassem empurrá-lo “à margem” do sistema, Ivan Cesar interveio completando a frase com a palavra “Marginal, né?”. Embora o candidato estivesse se referindo à exclusão política, a interrupção do radialista tangenciou uma perigosa dubiedade semântica.
Interrogatório em Tom de Promotoria
O jornalista Guilherme Zimermann assumiu uma linha de inquirição documental agressiva, resgatando uma entrevista anterior, datada de 9 de dezembro de 2025. Zimermann cobrou coerência de Rodrigo Kohl Ribeiro por ter mudado de posicionamento após sua histórica e abrupta exoneração do cargo de diretor de cultura pelo prefeito Daniel Langaro — fato ocorrido uma semana após o referido programa. “O que garante ao eleitor que votando em você… você não vai agir da mesma forma? Uma hora falando uma coisa, outra hora fazendo outra”, disparou o mediador.
A bancada da Rádio Club buscou também encurralar o pré-candidato levantando suspeitas morais sobre o arranjo partidário para preenchimento de sua antiga vaga de assessor parlamentar no Congresso Nacional, sugerindo a possibilidade de sua esposa assumir a função e classificando o ato como uma “burla indireta à legislação eleitoral”. João Pimenta defendeu com firmeza a legalidade e a transparência da transição, pontuando que se trata de uma articulação institucional legítima dentro do Podemos, chancelada pela presidente estadual Lu Bonato e pelo deputado federal Felipe Francischini.
“Olha só a diferença da sua entrevista com os outros pré-candidatos e comigo. É mais uma aspereza. (…) Isso é também um desrespeito ao pré-candidato que está aqui com toda vontade trazendo propostas para a nossa comunidade.”
— Rodrigo “João Pimenta” Kohl Ribeiro, durante a transmissão ao vivo.
Opinião Editorial: O Papel da Imprensa e o Duplo Padrão
A sabatina de ontem deixa uma lição clara sobre os rumos do debate político em Palmas. É dever do jornalismo questionar, contrapor e exigir coerência de quem se dispõe a pleitear o voto público. No entanto, quando um veículo de comunicação adota dois pesos e duas medidas — demonstrando bonomia com determinados aliados tradicionais e despejando “aspereza” e ironia sobre vozes independentes —, o microfone deixa de ser um instrumento de informação e passa a atuar como um tribunal inquisitório de conveniência.
Apesar do bombardeio e do direcionamento a temas nacionais complexos e divisivos — como a redução da maioridade penal (da qual se declarou contrário por sua formação como pedagogo), o aborto e a descriminalização de drogas (onde defendeu soluções focadas na ampliação das redes de saúde pública e apoio psicológico) —, João Pimenta sustentou suas posições sem recuar. O pré-candidato blindou-se na resiliência de quem conhece as engrenagens locais, lembrando suas expressivas votações anteriores para vereador e deputado estadual, e reafirmou que o voto é uma “caixinha de surpresas” que frequentemente contraria os analistas de gabinete.
O Portal O Brasil Não Pode Parar segue firme em sua linha editorial: o debate político deve ser duro, mas precisa ser limpo. O uso de adjetivos desqualificadores em entrevistas oficiais empobrece a democracia e subestima a inteligência do eleitor palmense.
O Portal O Brasil Não Pode Parar mantém sua linha editorial baseada na pluralidade de ideias, na transparência e no absoluto respeito ao contraditório. Dessa forma, este espaço segue integralmente aberto para que a direção da Rádio Club, bem como os profissionais Ivan Cesar e Guilherme Zimermann, apresentem suas manifestações, notas de esclarecimento ou posicionamentos sobre a condução da referida entrevista, caso julguem necessário.
Após a repercussão, João Pimenta pediu retratação ao Grupo RBJ
