Documento oficial diz que equipamentos da Câmara de Palmas “deixaram de estar disponíveis” após reforma
Um documento da própria Câmara Municipal de Palmas trouxe à tona uma pergunta sobre o destino dos tablets utilizados pelos vereadores durante as sessões do Legislativo.
A informação aparece no Documento de Formalização da Demanda (DFD), datado de 22 de janeiro de 2026, que justificou a necessidade de aquisição de novos equipamentos. O presidente da Câmara, Ricardo Severo Vaz, consta como responsável pela demanda.
Na justificativa, a Câmara explica que os vereadores utilizavam tablets como suporte eletrônico nas sessões, em substituição às antigas pastas com folhas impressas.
Em seguida, o documento registra:
“Contudo, após a reforma realizada nas dependências da Câmara, os tablets deixaram de estar disponíveis.”
A Câmara afirma ainda, no mesmo trecho, que a situação estava sendo “devidamente apurada e encaminhada às instâncias judiciais competentes”.
O documento não explica o que aconteceu com os aparelhos. Também não informa, nesse trecho, quantos deixaram de estar disponíveis, quando a situação foi constatada ou para onde os equipamentos foram.
Outro ponto importante: o DFD não fala em furto, roubo ou extravio. Até o momento, portanto, não há elemento no documento analisado que permita à reportagem classificar dessa forma o que ocorreu.
REGISTRO DE 2019
A reportagem de O Brasil Não Pode Parar localizou também uma publicação feita pela própria Câmara em sua página no Facebook, em 9 de julho de 2019.
Na postagem, o Legislativo anunciava: “Vereadores de Palmas receberam tablets na última Sessão da Câmara”.
Segundo a publicação, os equipamentos começaram a ser utilizados no dia 8 de julho daquele ano, durante a 22ª Sessão Ordinária.
A Câmara informou na época que a implantação ocorreu durante a presidência de Luiz Guesser, tendo Marcos Antônio da Silva Gomes como vice. O objetivo era substituir parte dos documentos impressos e permitir aos vereadores acompanhar digitalmente projetos, requerimentos e indicações.
Fotos publicadas pela própria Câmara mostram os tablets sobre as bancadas do plenário.
Ao justificar a iniciativa, o então presidente Luiz Guesser destacou a economia pretendida com a mudança:
“Estamos falando de dinheiro público, do contribuinte. Se podemos economizar, assim vamos fazer.”
A publicação de 2019 comprova que tablets foram adquiridos e colocados em uso pela Câmara naquele período. Já o documento de janeiro de 2026 registra que, depois da reforma, os equipamentos “deixaram de estar disponíveis”.
Ainda não é possível afirmar, sem os registros patrimoniais, se todos os equipamentos mencionados em 2019 são exatamente os mesmos aos quais o DFD de 2026 se refere.
CÂMARA PREVIU 10 NOVOS TABLETS
No documento de janeiro, a Câmara relaciona a indisponibilidade dos aparelhos à necessidade de uma nova aquisição.
“Diante da necessidade de evitar prejuízos à continuidade das atividades legislativas, torna-se indispensável a contratação para aquisição de novos aparelhos”, diz o DFD.
Foram previstos 10 tablets novos.
A quantidade, no entanto, não permite concluir quantos equipamentos anteriores deixaram de estar disponíveis.
A reportagem continua buscando os registros patrimoniais e os documentos da aquisição realizada em 2019 para identificar quantos aparelhos pertenciam à Câmara, seus respectivos registros e qual destinação consta oficialmente para esses bens.
PARA ONDE O CASO FOI ENCAMINHADO?
Há outra questão que permanece em aberto.
A própria Câmara declarou no DFD que a situação estava sendo “devidamente apurada e encaminhada às instâncias judiciais competentes”.
O documento analisado não identifica qual procedimento de apuração foi aberto nem informa número de boletim de ocorrência, processo ou protocolo relacionado ao caso.
A ausência dessas informações no DFD não significa que tais registros não existam. A reportagem busca agora localizar eventual procedimento policial, administrativo ou judicial para esclarecer qual providência foi efetivamente adotada.
PRESIDENTE FOI PROCURADO
O Brasil Não Pode Parar encaminhou questionamentos ao presidente da Câmara Municipal de Palmas, Ricardo Severo Vaz, antes da publicação desta reportagem.
Entre as perguntas enviadas estão quantos tablets deixaram de estar disponíveis, quando o fato foi constatado, qual o destino conhecido dos equipamentos e quais providências foram adotadas pela Câmara.
A reportagem também perguntou se houve registro de boletim de ocorrência ou abertura de procedimento administrativo e pediu esclarecimentos sobre quais seriam as “instâncias judiciais competentes” mencionadas no documento.
Até o fechamento desta matéria, o presidente não havia respondido aos questionamentos encaminhados pela reportagem.
O espaço permanece aberto para manifestação da Presidência e da Câmara Municipal de Palmas. Caso a resposta seja encaminhada após a publicação, seu conteúdo será acrescentado à cobertura.
Enquanto a apuração avança, permanece sem resposta a questão central levantada pelo próprio documento oficial:
Cadê os tablets?
A reportagem continua.
