O "Efeito Tarcísio" no Paraná: Por que é cedo para subestimar Sandro Alex - Foto: Reprodução Facebook
Curitiba, PR – O cenário político do Paraná para as eleições de 2026 começa a ganhar contornos estratégicos que lembram movimentos recentes da política nacional, o chamado “Efeito Tarcísio”. Embora as primeiras pesquisas indiquem vantagem consolidada de Sergio Moro, com índices entre 35% e 42%, outro fator começa a chamar atenção nos bastidores: o potencial de crescimento de Sandro Alex com o apoio direto do governador Ratinho Junior.
Com apenas 5% a 6% nas intenções de voto nas primeiras medições, Sandro Alex aparece distante dos líderes. No entanto, analistas políticos apontam que esse cenário inicial pode não refletir o desfecho eleitoral. O histórico recente da política brasileira mostra que candidaturas inicialmente subestimadas podem ganhar força rapidamente quando associadas a lideranças populares e ao uso estratégico da máquina pública.
O Espelho de 2022 e o Caso Tarcísio de Freitas
O exemplo mais citado é o da eleição paulista de 2022. No início daquele ano, Tarcísio de Freitas era considerado um nome técnico, com baixo reconhecimento popular e apenas cerca de 6,5% nas pesquisas. Mesmo meses depois, ainda figurava atrás de adversários mais conhecidos, como Fernando Haddad.
Apesar disso, sua trajetória mudou ao longo da campanha. A associação com o então presidente e a construção de imagem baseada em entregas concretas na área de infraestrutura foram determinantes para sua virada eleitoral. O que parecia improvável no início do ano se consolidou nas urnas.
O paralelo com o Paraná é direto. Sandro Alex aposta em um caminho semelhante: fortalecer sua imagem como gestor técnico e associar sua trajetória às realizações do atual governo estadual.
Infraestrutura como ativo político
À frente da Secretaria de Infraestrutura, Sandro Alex construiu sua base política com foco em obras estruturantes. Rodovias, concessões e projetos como a Ponte de Guaratuba são frequentemente apresentados como símbolos de gestão e capacidade de execução.
Essa estratégia segue um padrão claro: transformar realizações administrativas em capital eleitoral. Foi exatamente esse modelo que impulsionou candidaturas técnicas em diversos estados brasileiros nos últimos anos.
Ao mesmo tempo, o apoio de Ratinho Junior se apresenta como um diferencial relevante. O governador mantém altos índices de aprovação e tem atuado diretamente na articulação política, reunindo prefeitos e lideranças regionais para fortalecer seu grupo político.
O peso da máquina pública
Um dos pontos centrais desse cenário é o papel da estrutura governamental. Em eleições estaduais, o apoio do governo em exercício costuma ter impacto significativo, especialmente quando há boa avaliação administrativa.
Ratinho Junior antecipou o debate sucessório justamente para ampliar o tempo de exposição de Sandro Alex. A estratégia é clara: aumentar o nível de conhecimento do eleitor e reduzir a distância para nomes já consolidados.
Esse movimento, no entanto, não garante vitória automática. Ele cria condições competitivas, mas exige que o candidato consiga converter visibilidade em intenção de voto.
Cenário atual da disputa
De acordo com levantamento Genial/Quaest realizado em abril de 2026, o cenário inicial apresenta a seguinte configuração:
Sergio Moro (PL): 35%
Requião Filho (PDT): 18%
Rafael Greca (MDB): 15%
Sandro Alex (PSD): 5%
Os números mostram um cenário fragmentado, com liderança definida, mas ainda aberto para movimentações ao longo da campanha.
Desafios no caminho
Apesar do potencial de crescimento, Sandro Alex enfrenta obstáculos importantes. Diferente do caso paulista, ele carrega o peso de decisões administrativas que podem gerar desgaste, como o modelo de concessões de pedágio no estado.
Além disso, a disputa no campo da direita tende a ser intensa. Nomes como Sergio Moro e Rafael Greca possuem maior reconhecimento e base eleitoral consolidada, o que dificulta a ascensão rápida de novos concorrentes.
Outro fator relevante é a necessidade de construção de identidade própria. Embora o apoio de Ratinho Junior seja um ativo, depender exclusivamente dessa associação pode limitar o crescimento eleitoral se não houver conexão direta com o eleitorado.
Um cenário em aberto
O histórico recente da política brasileira mostra que pesquisas iniciais nem sempre definem o resultado final. O chamado “efeito Tarcísio” reforça que campanhas bem estruturadas, aliadas a apoio político forte e narrativa consistente, podem alterar significativamente o cenário ao longo do tempo.
No Paraná, o desafio de Sandro Alex é transformar baixa intenção de voto em competitividade real. Para isso, será necessário ampliar visibilidade, reduzir rejeição e consolidar uma mensagem clara para o eleitor.
O cenário de 2026 ainda está em formação. E, como já demonstrado em outras eleições, subestimar candidaturas no início pode ser um erro estratégico relevante.

